CURITIBA – As ações de prevenção e de combate à proliferação do mosquito Aedes aegypti adotadas pela Prefeitura, em parceria com outros organismos oficiais e da sociedade civil, impediram que Curitiba tivesse aumento expressivo no número de focos do mosquito e sofresse com uma epidemia de dengue, zika ou chikungunya este ano, quando muitos outros municípios enfrentaram situação crítica. Como parte da operação, mais de 700 mil imóveis da cidade (cerca de 90% do total) foram visitados nos últimos meses, antecipando para fevereiro a redução na curva de crescimento no número de focos.
As informações integram o relatório da operação Curitiba contra o Aedes, divulgado na manhã desta quinta-feira (2) pelo prefeito Gustavo Fruet e pelo secretário municipal da Saúde, César Titton.
Os dados mostram que de janeiro a maio de 2016 foram confirmados em Curitiba 486 casos de dengue, dos quais apenas 23 contraídos dentro da cidade. Também foram registrados 38 casos de Zika (30 importados e 8 autóctones) e 14 casos importados de Chikungunya.
“O fato de apenas 5% dos casos serem autóctones mostra que o trabalho surtiu efeito. Agora é fundamental manter a mobilização de forma permanente, já como prevenção para o próximo verão”, afirmou o prefeito Gustavo Fruet.
Fruet avalia que o sucesso do programa de prevenção e combate ao Aedes só foi possível devido à grande mobilização que ocorreu desde o final do ano passado. Além de diversas secretarias municipais, o trabalho envolveu as Forças Armadas (com a cessão de pessoal), os órgãos de comunicação (com a divulgação de orientação e medidas preventivas) e essencialmente a população, que ajudou monitorando terrenos, residências, fiscalizando os vizinhos e apresentando, pelo telefone 156, denúncias de locais com água parada e possíveis focos de mosquitos.
“Ficamos longe de ter uma epidemia de dengue em Curitiba. Tivemos um caso para cada 78 mil pessoas, aproximadamente. O que caracteriza uma epidemia é a ocorrência de três casos para cada grupo de mil pessoas”, explicou o secretário de Saúde, Cesar Monte Serrat Titton.
Segundo monitoramento da Secretaria, de janeiro a maio de 2016, foram 5.420 casos notificados em Curitiba. No mesmo período foram realizados 33 bloqueios para casos de zika e 12 bloqueios em casos de chikungunya. Os bloqueios são ações concentradas no entorno de locais onde vivem e trabalham pessoas com casos confirmados das doenças.
Controle
Os números revelam que as ações de controle propostas pelo poder municipal surtiram efeito para a redução na circulação do mosquito transmissor. Mais de 700 mil imóveis foram vistoriados por agentes de saúde e agentes de controle de endemias, o que representa praticamente 90% dos imóveis do município.
“A redução do número de focos é importante porque representa maior proteção da cidade. Historicamente o número de mosquitos circulantes é maior em março e abril e conseguimos reverter essa tendência de crescimento já no final de fevereiro”, disse Titton. “Em março deste ano havia menos mosquitos circulantes do que em março de 2015. Isso foi essencial para que as pessoas que vieram para Curitiba portando o vírus não fossem encontradas pelo mosquito, gerando maior proteção à população da capital.”
Além das ações da Secretaria Municipal da Saúde, o envolvimento de outras secretarias municipais colaborou para o êxito no trabalho de combate ao Aedes neste ano. A Secretaria Municipal do Meio Ambiente retirou mais de seis mil toneladas de entulhos de rios e terrenos baldios. A Secretaria Municipal do Urbanismo intensificou as vistorias (foram nove mil vistorias no período) e emissão de autos de infração. A Secretaria de Trânsito fez a retirada de veículos abandonados das vias, a Secretaria Municipal de Educação com o envolvimento direto dos alunos da rede pública em ações e repasse de informações aos familiares e amigos. Os representantes das secretarias envolvidas participaram da divulgação do balanço das ações, além de integrantes de instituições parceiras, como o general de brigada Alécio Oliveira da Silva, comandante da Artilharia Divisionária da 5ª Região.
Futuro
Apesar dos indicadores positivos, o combate aos focos do mosquito e as ações preventivas não podem parar. “A mobilização deve continuar. Há um indicador de que no frio diminui a existência de novos focos, mas os ovos do mosquito podem permanecer ativos por mais de um ano. Então, temos que manter um cuidado permanente porque até que venha um novo período de calor. Até lá, temos que diminuir cada vez mais a incidência dos focos”, finalizou o prefeito.
O custo das ações de prevenção e combate ao mosquito Aedes nos primeiros quatro meses do ano foi de R$ 7,8 milhões.]
Foto: Maurilio Cheli/SMCS