Notícias
Pendência de IPVA 2020 inviabiliza opção pelo Simples Nacional – Prazo para adesão ao Simples Nacional termina dia 31 de janeiro
Publicado
em
Por
facedanoticia
O prazo para adesão ao regime tributário do Simples Nacional, ano-calendário 2020, termina no dia 31 deste mês de janeiro. Para não ter negada a opção, a empresa não pode apresentar qualquer pendência cadastral ou fiscal, entre elas o recolhimento do IPVA.
De acordo com o gerente do Simples Nacional, setor da Secretaria da Fazenda, Yukiharu Hamada, débitos com o imposto sobre veículos tem sido justamente a maior causa de indeferimento nos últimos anos. Hamada lembra que a primeira parcela do IPVA tem vencimento entre os dias 23 e 29 de janeiro, conforme o final da placa.
De acordo com a Receita Estadual do Paraná, não apenas o IPVA, mas qualquer dívida cadastral ou fiscal apontada nos sistemas da administração tributária impede a opção pelo Simples Nacional, que é um regime diferenciado e simplificado.
Isto é o que prevê a Lei Complementar número 123/2006. Não é possível ter pendências cadastrais e fiscais com nenhum ente federado, tanto com a União, como os Estados, Distrito Federal e municípios, que fazem a verificação de possíveis débitos e podem indeferir a opção.
RECOLHIMENTO – O recolhimento do IPVA pode ser feito em três parcelas ou em cota única, nos sete bancos credenciados pela Receita Estadual: Banco do Brasil, Itaú, Santander, Bradesco, Sicredi, Banco Rendimento e Bancoop. Basta que o proprietário do veículo informe o número do Renavan.
Como neste ano a Receita não enviará o boleto para a casa do contribuinte para efetuar o pagamento, nem mandará guias para pagamento por e-mail, é preciso imprimir a guia no site da Sefa – www.fazenda.pr.gov.br. Esse número consta no Certificado de Registro e Licenciamento de Veículos (CRLV).
O pagamento também pode ser feito diretamente nos caixas desses bancos – com exceção do Banco do Brasil, bastando apresentar o número do Renavan.
VALORES – O valor do IPVA lançado no Paraná é de aproximadamente R$ 3,7 bilhões, dos quais 50% do valor recolhido fica com o município de licenciamento do veículo. Os recursos do imposto são aplicados em áreas prioritárias do governo, como educação, saúde e segurança.
O IPVA é calculado com base no valor do veículo, e sua quitação é requisito obrigatório para emissão certificado de licenciamento de veículo pelo DETRAN/PR. (Foto: Jaelson Lucas/AEN)
Você pode gostar
Entrevista
ENTREVISTA: “Queremos um Paraná forte, desenvolvido e ambientalmente sustentável”, diz Bisognin
Publicado
em
10 de setembro de 2026Por
facedanoticia
O engenheiro florestal José Volnei Bisognin foi nomeado pelo governador Carlos Massa Ratinho Junior, em abril, para comandar o Instituto Água e Terra (IAT). Natural de Santa Maria (RS), Bisognin é formado em Engenharia Florestal pela Universidade Federal de Santa Maria (UFSM) e pós-graduado em Educação Ambiental. Está no Paraná desde 1985 e acumula mais de quatro décadas de experiência na gestão ambiental pública.
Com trajetória construída principalmente no Oeste do Paraná, onde atuou como chefe da Regional do IAT em Toledo e também da Regional de Pato Branco, Bisognin ocupou cargos de liderança em diferentes regiões do Estado, nas áreas de licenciamento ambiental, biodiversidade, manejo florestal e cadastro ambiental. Foi diretor-presidente do antigo Instituto Ambiental do Paraná (IAP), em 2010, e do IAT, em 2022.
Em entrevista exclusiva ao Jornal Face da Notícia, o diretor-presidente fala sobre sua trajetória profissional, os desafios à frente do IAT e o papel estratégico do órgão na preservação dos recursos naturais e na promoção do desenvolvimento sustentável do Paraná. Bisognin também aborda grandes projetos de infraestrutura, como a Ponte de Guaratuba, a Engorda da Orla de Matinhos, a terceira pista do Aeroporto Afonso Pena e as novas concessões rodoviárias, além das ações de combate ao desmatamento e outros assuntos relacionados à gestão ambiental do Estado do Paraná.
Face da Notícia – O senhor já esteve à frente do IAT em 2010 e, posteriormente, em 2022, tendo reassumido a Presidência em abril de 2026. Como avalia esse retorno e quais são os principais desafios neste novo período?
Bisognin: Na verdade, fui presidente do Instituto Água e Terra em 2010, durante o Governo Pessuti, posteriormente em 2022 e retornei agora, em abril de 2026, a convite do governador e do secretário Everton. Os desafios permanecem, basicamente, semelhantes. Temos uma equipe que está conosco há aproximadamente oito anos e possui uma trajetória consolidada na condução de projetos grandiosos e estratégicos para o Estado do Paraná. A partir dessa experiência, estabelecemos metas importantes para este novo período.
Entre as principais prioridades está a continuidade e o acompanhamento de grandes obras e empreendimentos no Estado. Projetos como a Ponte de Guaratuba e a Engorda da Orla de Matinhos são de grande relevância para o Paraná. Atualmente, outra obra prioritária é a terceira pista do Aeroporto Afonso Pena, que representa um importante desafio para o Instituto. Também temos como grande responsabilidade acompanhar os licenciamentos ambientais dos empreendimentos rodoviários relacionados às novas concessões das rodovias do Paraná. São milhares de quilômetros de estradas e, atualmente, praticamente todo o Estado está envolvido em obras. Essa demanda foi tão significativa que levou à criação de um departamento específico para tratar dos licenciamentos relacionados às rodovias, justamente para garantir maior eficiência e agilidade aos processos.
As novas concessões rodoviárias possuem um diferencial importante: estão vinculadas a um extenso cronograma de obras. As empresas concessionárias assumiram compromissos contratuais que envolvem duplicações, implantação de terceiras faixas, melhorias na infraestrutura e outras intervenções que deverão proporcionar avanços significativos na qualidade e na segurança das rodovias paranaenses.
Por isso, um dos nossos principais desafios é garantir que os cronogramas estabelecidos pelas concessionárias sejam compatibilizados com os respectivos licenciamentos ambientais. Quando uma empresa assume uma concessão, possui um planejamento previamente definido, com obras que precisam ser executadas em determinados períodos. Cabe ao Instituto assegurar que os processos de licenciamento acompanhem esse planejamento, sem comprometer a qualidade das análises e o cumprimento da legislação ambiental.
Assim, considero que o grande desafio do IAT neste momento é conciliar a necessidade de viabilizar investimentos e grandes obras de infraestrutura com a responsabilidade de garantir um licenciamento ambiental eficiente, seguro e tecnicamente adequado. Dessa forma, permitimos que as concessionárias cumpram os compromissos assumidos nos contratos de concessão, sempre respeitando a legislação e a proteção ambiental.
Face da Notícia – Ao longo de mais de quatro décadas de atuação na gestão pública ambiental, grande parte desse trabalho desenvolvido na região Oeste do Paraná, quais foram os principais projetos, avanços e desafios que marcaram sua trajetória na região? E qual a importância do Oeste para as políticas de preservação e desenvolvimento sustentável do Estado?
Bisognin: Praticamente toda a minha carreira foi construída na região Oeste do Paraná, especialmente em Toledo. Embora tenha atuado em diferentes funções e regiões do Estado, minha principal trajetória profissional foi desenvolvida no Oeste. Iniciei minha atuação como técnico na região em 1985 e, posteriormente, fui chefe do Escritório Regional de Toledo entre 2003 e 2009. Durante esse período, desenvolvemos um trabalho intenso em diversas áreas da gestão ambiental.
Em 2010, em razão do trabalho realizado à frente do Escritório Regional de Toledo, alcançamos um reconhecimento muito importante. A unidade foi destaque em nível estadual, inclusive ficando em primeiro lugar em indicadores relacionados ao licenciamento ambiental, além de apresentar resultados expressivos em ações como conversão de multas e outras atividades desenvolvidas pelo Instituto.
Eu estava à frente do escritório naquele período e também atuava diretamente em questões relacionadas ao licenciamento ambiental, ao viveiro e a outras ações de gestão. O Escritório Regional de Toledo já possuía uma trajetória de destaque dentro do Estado, mas conseguimos ampliar ainda mais esse reconhecimento.
Esse trabalho foi reconhecido pelos dirigentes da época e contribuiu para que eu tivesse a oportunidade de assumir responsabilidades maiores dentro do Estado. Inclusive, fui, talvez, o primeiro funcionário de carreira a sair diretamente de uma cidade do interior para assumir a Presidência do Instituto, que já possuía uma atuação de grande relevância no cenário ambiental.
Ao longo dessa trajetória no Oeste, trabalhamos em diversos projetos e programas importantes, incluindo ações relacionadas ao Paraná Rural, à arborização urbana, ao controle do desmatamento, à agricultura e a outras iniciativas voltadas à conservação ambiental e ao desenvolvimento sustentável.
Foram muitos anos de trabalho, desafios e construção coletiva. Acredito que esse conjunto de ações realizadas na região Oeste contribuiu para que eu pudesse assumir responsabilidades cada vez maiores dentro do Estado.
Para mim, existe também um significado pessoal muito grande nessa trajetória. Grande parte do que conquistei profissionalmente devo à região Oeste do Paraná e, principalmente, à cidade de Toledo. Foi ali que construí minha carreira, adquiri experiência, enfrentei desafios e tive o reconhecimento que me permitiu avançar dentro da gestão pública ambiental.
Por isso, considero que o Oeste possui uma importância fundamental para as políticas ambientais do Paraná. É uma região que demonstra, na prática, que preservação ambiental e desenvolvimento econômico podem caminhar juntos, desde que haja planejamento, responsabilidade e uma atuação pública comprometida com o desenvolvimento sustentável.
Face da Notícia – Qual é o papel estratégico do IAT na preservação dos recursos naturais e na promoção do desenvolvimento sustentável do Paraná?
Bisognin: O Instituto Água e Terra está diretamente presente em praticamente todas as grandes ações de desenvolvimento do Paraná. Quando o atual Governo assumiu, o Estado tinha um PIB de aproximadamente R$ 400 bilhões e, desde então, esse valor praticamente dobrou, chegando a cerca de R$ 800 bilhões. O Paraná também passou da quinta para a quarta posição entre as maiores economias do Brasil.
Em todo esse processo de crescimento, seja na implantação de rodovias, na instalação de empresas e indústrias ou na realização de grandes obras de infraestrutura, o IAT está presente, principalmente por meio do licenciamento, da fiscalização e da gestão dos recursos naturais. Ao mesmo tempo em que o Paraná cresce economicamente, também avançamos na agenda ambiental. O Estado foi reconhecido, pelo quarto ano consecutivo, como o mais sustentável do Brasil, e isso é resultado de um trabalho contínuo de preservação e gestão responsável dos recursos naturais.
O IAT possui, dentro da sua estrutura, o setor de Patrimônio Natural, responsável, entre outras atribuições, pela gestão das unidades de conservação. Atualmente, o Estado conta com mais de 70 unidades de conservação, além de 19 viveiros florestais, responsáveis pela produção de mudas e pelo apoio a diversas ações de recuperação e conservação ambiental.
Outro eixo fundamental é a fiscalização ambiental, que contribui para o cumprimento da legislação e para a proteção dos recursos naturais. Também temos trabalhado na criação e ampliação de áreas protegidas, na recuperação de áreas de preservação permanente, na proteção das reservas legais e na implantação de corredores ecológicos. Portanto, o IAT possui uma função estratégica para o Paraná. Uma de suas principais missões é preservar os recursos naturais, garantindo que o desenvolvimento do Estado aconteça de forma sustentável.
O conceito de desenvolvimento sustentável está justamente na capacidade de conciliar o progresso econômico e social com a proteção do meio ambiente. O Paraná pode continuar se desenvolvendo, atraindo investimentos, realizando obras e gerando oportunidades, mas precisa fazer isso cuidando, ao mesmo tempo, dos seus recursos naturais. É esse equilíbrio que buscamos: um Estado que se desenvolve, mas que também preserva o meio ambiente para as atuais e futuras gerações.
Face da Notícia – Quais são, atualmente, os principais desafios enfrentados pelo órgão para conciliar proteção ambiental, crescimento econômico e qualidade de vida da população?
Bisognin: Um dos principais instrumentos para conciliar proteção ambiental e crescimento econômico é, sem dúvida, o licenciamento ambiental. O processo começa com a avaliação da área e do empreendimento que se pretende implantar, verificando se aquele local possui condições ambientais adequadas para determinada atividade. A partir dessa análise, são estabelecidas as condicionantes e as medidas que o empreendedor deverá cumprir para que o empreendimento seja implantado e opere de maneira ambientalmente adequada.
Isso envolve, por exemplo, o controle de efluentes industriais, emissões atmosféricas e outros possíveis impactos ambientais, sempre de acordo com a legislação vigente. O crescimento econômico do Paraná tem sido muito significativo, e grande parte desse desenvolvimento precisa estar acompanhado de licenciamento e fiscalização ambiental. Nossa função é garantir que esse crescimento seja sustentável.
Quando falamos em qualidade de vida, também precisamos pensar na preservação e recuperação das áreas verdes, na proteção dos rios e mananciais, na recuperação de áreas degradadas e no reflorestamento com espécies nativas. Portanto, a função do IAT é buscar esse equilíbrio: permitir o desenvolvimento econômico sem comprometer os recursos naturais e a qualidade de vida das pessoas.
Nesse processo, nunca podemos esquecer que o ser humano também está no centro das políticas ambientais. Precisamos proteger os mananciais, os animais, as florestas e a biodiversidade, mas também garantir condições adequadas de vida e desenvolvimento para a população. Entre os grandes desafios atuais, destaco também a ocupação urbana, especialmente a implantação de loteamentos e o processo de ocupação do litoral paranaense.
O litoral possui características de elevada fragilidade ambiental e, ao mesmo tempo, apresenta uma procura muito grande por áreas destinadas à habitação e ao desenvolvimento urbano. Precisamos trabalhar para que essa ocupação aconteça de forma ordenada e planejada, respeitando as limitações ambientais existentes. Nesse sentido, o IAT tem desenvolvido um trabalho conjunto com os municípios, buscando discutir e aperfeiçoar os planos diretores e o ordenamento territorial, de maneira que o crescimento urbano seja compatível com as características ambientais de cada região.
No litoral, essa preocupação é ainda maior em razão da importância dos ecossistemas existentes e da necessidade de compatibilizar desenvolvimento econômico e preservação ambiental. Assim, um dos nossos grandes desafios é promover um ordenamento territorial adequado, especialmente no litoral paranaense, conciliando habitação, desenvolvimento econômico, infraestrutura e preservação dos recursos naturais. Em síntese, queremos um Paraná que continue crescendo, mas que cresça de maneira planejada e sustentável, garantindo desenvolvimento e qualidade de vida sem comprometer o patrimônio ambiental que pertence a toda a sociedade.
Face da Notícia – Quais são as principais funções desempenhadas pelo IAT no Paraná?
Bisognin: A principal função do IAT, como órgão ambiental do Estado, está relacionada à fiscalização, ao monitoramento e ao licenciamento ambiental. No entanto, o Instituto possui uma atuação muito mais ampla e estratégica na gestão ambiental do Paraná. Uma das áreas importantes é a gestão dos recursos hídricos, que envolve, entre outras atividades, a análise e concessão de outorgas para utilização dos recursos hídricos do Estado.
Também temos a Diretoria do Patrimônio Natural, responsável pela criação, gestão e manutenção das unidades de conservação do Paraná. O Estado possui mais de 70 unidades de conservação e uma área protegida muito significativa, especialmente dentro do bioma Mata Atlântica. A preservação dessas áreas é fundamental para a conservação da biodiversidade e dos recursos naturais.
Outra área de grande importância é a gestão territorial, que atua, entre outras questões, na regularização fundiária e na entrega de títulos às populações que vivem em áreas que passaram por processos de regularização. Um exemplo recente é o trabalho realizado na Ilha do Mel, onde foram entregues mais de 300 títulos. Hoje, a Ilha do Mel possui um plano diretor e avançamos significativamente na regularização de sua ocupação.
Esse é um trabalho complexo, mas extremamente importante, porque proporciona às famílias segurança jurídica e o reconhecimento de sua regularidade, fortalecendo a cidadania dessas populações. Temos também a Diretoria de Saneamento Ambiental, que possui uma atuação bastante ampla, especialmente na realização de obras e na celebração de convênios com os municípios.
Entre suas ações estão o combate à erosão, a recuperação ambiental e o apoio aos municípios por meio da disponibilização de equipamentos, como caminhões-pipa, caminhões de coleta seletiva e poliguindastes. Essa diretoria também teve participação fundamental em projetos de grande relevância para o Estado, como a Engorda da Praia de Matinhos, além de estar envolvida em diversos outros projetos voltados à conservação, recuperação e melhoria da qualidade ambiental.
Portanto, o IAT não é apenas um órgão de fiscalização e licenciamento. É uma instituição que atua em diversas frentes: fiscalização, licenciamento, monitoramento, gestão dos recursos hídricos, patrimônio natural, unidades de conservação, regularização fundiária, saneamento ambiental, educação ambiental e execução de obras voltadas à conservação e recuperação do meio ambiente. Essa atuação integrada é fundamental para que o Paraná avance no desenvolvimento econômico e social, mantendo, ao mesmo tempo, o compromisso com a preservação ambiental e a qualidade de vida da população.
Face da Notícia – Como está o cenário do desmatamento no Estado e quais são as principais ações que o IAT vem desenvolvendo para combatê-lo?
Bisognin: O Paraná está entre os Estados brasileiros que mais reduziram os índices de desmatamento nos últimos anos. Esse resultado é consequência de um conjunto de ações desenvolvidas pelo IAT, envolvendo tecnologia, monitoramento e fiscalização em campo. Um dos principais avanços foi a utilização de ferramentas de monitoramento por satélite, que permitem identificar áreas de desmatamento de maneira muito mais rápida e precisa.
Atualmente, o Instituto possui um sistema de fiscalização remota bastante avançado, inclusive com possibilidade de aplicação de autos de infração de forma remota, a partir da identificação de irregularidades por imagens de satélite. Além do monitoramento por satélite, também contamos com fiscalização aérea, realizada com o apoio do helicóptero do Instituto. Essa integração entre tecnologia e fiscalização em campo permite identificar as áreas, verificar a situação diretamente no local e adotar as medidas administrativas cabíveis.
Também realizamos periodicamente grandes operações de fiscalização, especialmente para atender aos alertas identificados por sistemas como o MapBiomas, direcionando as equipes para áreas que apresentam indícios de desmatamento. O Paraná é um dos Estados que mais realiza autuações ambientais no País. Anualmente, são emitidos mais de 10 mil autos de infração, sendo uma parcela significativa relacionada a ocorrências de desmatamento, inclusive de menor extensão.
É importante destacar, entretanto, que o Estado possui atualmente índices relativamente baixos de desmatamento e que parte das supressões de vegetação identificadas ocorre de forma autorizada e dentro dos procedimentos de licenciamento ambiental, especialmente em grandes obras de interesse público, como rodovias, ferrovias, portos e empreendimentos de geração de energia.
Nesses casos, quando a intervenção é ambientalmente necessária e legalmente autorizada, são estabelecidas medidas de controle, compensação e recuperação ambiental, de acordo com a legislação. Outro fator importante para o fortalecimento da fiscalização foi a ampliação do quadro de servidores, especialmente após os concursos realizados em 2022 e 2024. Hoje, temos mais de 600 novos servidores atuando em diferentes áreas, incluindo licenciamento e fiscalização, o que representa um reforço significativo para a capacidade operacional do Instituto.
Portanto, a redução do desmatamento no Paraná é resultado da combinação de monitoramento tecnológico, fiscalização remota, operações em campo, fiscalização aérea, aplicação rigorosa da legislação ambiental e ampliação do quadro de servidores. Nosso objetivo é continuar aprimorando essas ferramentas para que o Paraná consiga proteger suas florestas, preservar sua biodiversidade e, ao mesmo tempo, garantir que as intervenções necessárias ao desenvolvimento do Estado ocorram de forma legal, planejada e ambientalmente responsável.
Face da Notícia – Como o órgão realiza as fiscalizações ambientais no Estado?
Bisognin: O IAT utiliza diferentes mecanismos de fiscalização ambiental. Um dos principais é o recebimento de denúncias, que podem chegar por meio do SIGO, do Ministério Público, dos canais oficiais de atendimento do Instituto e de outros meios de comunicação disponibilizados à população. Além das denúncias, atualmente temos um componente tecnológico muito importante. O Instituto possui um setor de inteligência geográfica, responsável por reunir e analisar informações, produzir relatórios e identificar pontos críticos e áreas prioritárias para fiscalização em todo o Estado.
Isso permite que a fiscalização seja realizada de maneira cada vez mais estratégica e planejada. Hoje, existe um planejamento que considera as informações disponíveis, os alertas de desmatamento, as denúncias recebidas e os pontos identificados como prioritários. A tecnologia nos permite direcionar as equipes para onde realmente existe maior necessidade de atuação, tornando o trabalho mais eficiente.
Ao mesmo tempo, a fiscalização presencial continua sendo fundamental. As equipes vão a campo para verificar as situações identificadas, confirmar as possíveis irregularidades e, quando necessário, adotar as medidas administrativas previstas na legislação. Também contamos com o monitoramento por satélite e com a fiscalização aérea, ferramentas que ampliam significativamente nossa capacidade de atuação em um Estado com dimensões territoriais como o Paraná.
A integração entre inteligência geográfica, monitoramento por satélite, denúncias, fiscalização aérea e equipes em campo permite ao IAT atuar de forma mais rápida e eficiente no combate aos crimes ambientais. Nosso objetivo é fortalecer cada vez mais esse sistema, garantindo que a fiscalização seja preventiva, estratégica e efetiva, protegendo os recursos naturais e assegurando o cumprimento da legislação ambiental em todo o Paraná.
Face da Notícia – Quanto à questão dos recursos hídricos, qual é a situação do Paraná neste momento?
Bisognin: O Paraná possui uma ampla e importante malha de recursos hídricos, com uma grande quantidade de rios, nascentes e bacias hidrográficas. É um Estado com uma disponibilidade hídrica significativa, mas, em razão do seu intenso desenvolvimento econômico e das diferentes formas de utilização da água, existem regiões que apresentam situações de maior restrição.
Temos algumas áreas, principalmente aquelas relacionadas à diluição de efluentes, que possuem uma capacidade de suporte mais limitada. Isso significa que, para a instalação de determinados empreendimentos nessas regiões consideradas críticas, podem ser exigidos sistemas e medidas de controle diferenciados, justamente para garantir a preservação da qualidade e da disponibilidade dos recursos hídricos. Um exemplo é a piscicultura, que teve um crescimento muito expressivo na região Oeste do Paraná, especialmente nos municípios de Palotina, Maripá e Toledo. Nessa região, temos bacias hidrográficas que apresentam maior nível de utilização dos recursos hídricos.
À primeira vista, uma pessoa pode observar um rio e pensar que existe água disponível em grande quantidade. Entretanto, é preciso considerar que parte daquela vazão já está comprometida com usos que foram previamente autorizados. Por isso, em determinadas bacias, temos uma capacidade mais restrita de disponibilização de água, considerando tanto a vazão existente no rio quanto os usos já outorgados. Todo esse controle é realizado por meio da outorga de direito de uso dos recursos hídricos. Para utilizar a água de forma regular, o usuário precisa obter a respectiva outorga, que estabelece a quantidade de água que poderá ser utilizada de acordo com a disponibilidade hídrica da região. Em determinadas situações, a quantidade disponível pode não ser suficiente para atender integralmente à demanda de um empreendimento. Nesses casos, pode ser necessário buscar outra alternativa de localização, em uma bacia hidrográfica que possua maior disponibilidade hídrica.
A situação também exige atenção especial durante os períodos de estiagem e de seca, quando a vazão dos rios diminui. Nessas circunstâncias, pode ser necessária uma gestão mais rigorosa dos usos da água. Quando isso acontece, o IAT atua em conjunto com os Comitês de Bacias Hidrográficas, buscando estabelecer uma gestão compartilhada e, quando necessário, promover a negociação dos usos e das vazões disponíveis, de modo que todos os usuários possam ser atendidos da melhor forma possível, sem comprometer o abastecimento e sem prejudicar os demais usuários. Temos, portanto, um controle bastante rigoroso dos recursos hídricos, justamente porque a água é um recurso essencial e precisa ser utilizada de forma responsável e planejada.
É importante lembrar também que a água é um bem de domínio público, e seu uso não pertence exclusivamente a uma determinada pessoa. Por isso, todos aqueles que utilizam recursos hídricos devem observar as regras estabelecidas pelo poder público e, quando exigido, possuir a respectiva outorga. O grande desafio é garantir que a disponibilidade de água seja compatibilizada com as necessidades da população, da agricultura, da indústria e dos demais setores produtivos, assegurando o uso sustentável dos recursos hídricos para as gerações atuais e futuras.
Face da Notícia – O senhor assumiu a Presidência do IAT em abril deste ano, mas teve um papel importante na construção da Ponte de Guaratuba. Qual é a importância dessa obra para o litoral paranaense e, pessoalmente, o que representa para o senhor ter contribuído para a realização de um projeto dessa dimensão?
Bisognin: A Ponte de Guaratuba é uma obra de importância histórica para o Paraná. Tanto que hoje ela é conhecida como a “Ponte da Vitória”. Durante décadas, essa obra esteve entre as grandes reivindicações do Estado e, inclusive, estava prevista na Constituição do Paraná há cerca de 50 ou 60 anos. A ponte representa a concretização de um antigo sonho da população e tem uma importância estratégica porque liga duas cidades irmãs, Matinhos e Guaratuba, e também estabelece uma importante conexão entre o Paraná e Santa Catarina. É, portanto, uma verdadeira ponte de integração. Durante muitos anos, essa ligação era realizada exclusivamente pelo sistema de Ferry Boat. Em períodos de férias e feriados, era comum que os motoristas enfrentassem filas de quatro, cinco, seis e até dez horas para realizar a travessia.
Isso gerava uma série de problemas, desde o aumento da emissão de gases pelos veículos parados até impactos econômicos e sociais para a população. Além disso, havia uma questão relacionada à saúde e à segurança. A obra também possui um impacto econômico muito importante. Atualmente, observamos um crescimento significativo de Matinhos e Guaratuba, especialmente nos setores imobiliário e de serviços. O litoral paranaense vem recebendo investimentos importantes e apresenta um grande potencial de desenvolvimento. Quem visita o litoral, incluindo municípios como Pontal do Paraná, Matinhos e Guaratuba, percebe a beleza e o potencial turístico da região.
A ponte permite que esse potencial seja melhor aproveitado, facilitando o acesso e a integração entre os municípios. Para mim, pessoalmente, é uma grande honra ter participado desse momento histórico. Mas faço questão de destacar que nenhum resultado dessa dimensão é fruto do trabalho de uma única pessoa. Eu fui apenas uma parte de uma grande engrenagem. A nossa equipe do IAT possui técnicos altamente capacitados, que tiveram participação fundamental na realização do licenciamento ambiental da ponte. Conseguimos conduzir esse processo em tempo recorde, contribuindo para que uma obra dessa magnitude pudesse ser construída em aproximadamente dois anos.
Em 2021, inclusive, durante um período em que eu estava de férias, recebi uma ligação do Governador, que me pediu que dedicasse meu tempo e minha experiência à condução desse trabalho. A partir daquele momento, a Ponte de Guaratuba passou a ser uma prioridade para nós. Era uma prioridade para o Governador, para o Secretário e, consequentemente, para toda a nossa equipe. Nós nos dedicamos intensamente ao projeto e trabalhamos em muitos finais de semana para garantir que o licenciamento fosse concluído dentro do prazo necessário. Por isso, tenho uma satisfação muito grande em saber que pude contribuir para a realização de uma obra que representa tanto para o Paraná.
E acredito que muitas outras obras grandiosas ainda virão para o Estado. O IAT e sua equipe estarão preparados para contribuir com esses projetos, sempre garantindo que o desenvolvimento aconteça de forma responsável e dentro da legislação ambiental. Porque, no serviço público, não basta ser um bom técnico, um bom gestor ou um bom diretor. É preciso apresentar resultados. O Estado precisa de resultados, e não apenas de discursos. E é isso que nossa equipe procura fazer: trabalhar com dedicação, responsabilidade e compromisso. Não existem finais de semana ou feriados quando se trata de entregar resultados importantes para o Paraná. No final, o que nos move é justamente isso: colaborar para que o Estado avance, sem abrir mão da responsabilidade ambiental e sempre em benefício da população paranaense.
DA REDAÇÃO

Notícias
Cruzamento no Mercês vai passar por requalificação viária com implantação de novo radar e semáforos para pedestres
Publicado
em
2 de setembro de 2026Por
facedanoticia
O cruzamento das ruas Padre Agostinho e Visconde de Nácar, no bairro Mercês, vai passar por uma requalificação viária completa para reforçar a segurança de motoristas e pedestres. As obras incluem requalificação geométrica e implantação de semáforos para pedestres em todo o cruzamento, com reforço da sinalização. A medida é realizada em um ponto que apresentava registro de muitos acidentes.
O local já recebeu um novo radar, que está em fase de testes e aguarda a aferição do Inmetro para começar a operar. O equipamento terá limite de velocidade de 40 km/h, conforme definido pela área de engenharia de trânsito.
O radar fará a fiscalização da Rua Padre Agostinho e, além do excesso de velocidade, vai verificar o avanço do sinal vermelho e a parada sobre a faixa de pedestres.
A instalação de radares em Curitiba é precedida por estudos técnicos realizados pela Superintendência de Trânsito (Setran), para identificar os locais que apresentam maior necessidade de fiscalização, especialmente aqueles com registros de acidentes.
A partir de setembro, as obras de requalificação e a implantação dos semáforos para pedestres vão complementar as medidas de segurança no cruzamento. As intervenções buscam melhorar as condições de circulação e travessia e tornar o deslocamento mais seguro para todos os usuários da via. (Foto: Levy Ferreira/ Fonte: SECOM)
Notícias
Curitiba é a 4ª no Ranking de Competitividade
Publicado
em
27 de agosto de 2026Por
facedanoticia
Curitiba é a quarta cidade brasileira melhor avaliada pelo Ranking de Competitividade dos Municípios, criado pelo CLP (Centro de Liderança Pública) com nota 63,02, em ranking divulgado na quinta-feira (27/8). As primeiras colocações ficaram, respectivamente, com Vitória (ES), que recebeu 64,28 pontos, Florianópolis (SC), com 63,79, e Porto Alegre (RS), de nota 63,46.
O prefeito Eduardo Pimentel está em São Paulo, onde ocorre nesta quinta-feira (27/8) o lançamento oficial do Ranking e participa de um painel com outros prefeitos de capitais sobre os resultados da avaliação e compartilham experiências e práticas administrativas.
“Quando as cidades são estimuladas a competir por melhores resultados, quem ganha é a população. Os indicadores de Curitiba no ranking têm melhorado ano a ano, mostrando que a gestão pública pode, sim, ser um ambiente de inovação, eficiência e excelência. Esse reconhecimento nos incentiva a fazer ainda mais”, avaliou o prefeito.
O ranking analisa 418 municípios brasileiros com população acima de 80 mil habitantes de acordo com a estimativa populacional do IBGE para o ano de 2024 e avalia municípios com base em 65 indicadores distribuídos em 13 pilares, agrupados nas dimensões de Instituições, Sociedade e Economia. A metodologia procura medir a capacidade das cidades de gerar bem-estar, oferecer serviços públicos e criar condições para o desenvolvimento econômico.
Resultados expressivos
Em 2025, a capital paranaense subiu duas posições em relação a 2024, e agora subiu mais uma posição, mostrando progresso consistente de seus indicadores.
Curitiba registrou um bom desempenho na área de Economia. O município garantiu a 6ª colocação nacional na dimensão geral do setor, que engloba os pilares de Inserção Econômica, Inovação e Dinamismo Econômico, Capital Humano e Telecomunicações.
O avanço na economia da capital paranaense foi alavancado por ganhos em múltiplas frentes: a cidade subiu 14 posições em Inserção Econômica (alcançando o 18º lugar nacional) e avançou seis postos em Inovação e Dinamismo Econômico (também na 18ª posição). Em Capital Humano, houve ganho de três posições, garantindo ao município um lugar de destaque, com a 5ª colocação e 60,85 pontos.
Outro grande trunfo da capital foi o Funcionamento da Máquina Pública, área na qual obteve o 2º lugar no Brasil com nota 90,80. Além disso, o relatório destacou a evolução expressiva em Sustentabilidade Fiscal, com o avanço de 26 posições, que levou a cidade ao 27º lugar, e a alta pontuação em Saneamento, garantindo a 32ª posição nacional com 89,50 pontos. (Foto: José Fernando Ogura/SECOM)
Tendência
-
Notícias1 semana atrásCruzamento no Mercês vai passar por requalificação viária com implantação de novo radar e semáforos para pedestres
-
Entrevista8 horas atrásENTREVISTA: “Queremos um Paraná forte, desenvolvido e ambientalmente sustentável”, diz Bisognin
-
Esportes1 semana atrásGinastas curitibanas conquistam prata no Regional Sul e avançam ao nacional
